Regras do MCMV
Como calcular renda para financiamento Minha Casa Minha Vida em 2026
Publicado em 19 de outubro de 2026
A resposta curta: no Minha Casa Minha Vida, a conta parte da renda bruta familiar mensal. Essa renda define três coisas de uma vez: a faixa do cliente, a taxa de juros e o teto do imóvel. Em seguida vem o limite da parcela: na Caixa, a prestação pode comprometer até 30% da renda.
Por isso, errar a renda em poucos reais pode mudar a simulação inteira. Um cliente que ganha R$ 3.150 está na Faixa 1. Se ganhar R$ 3.250, já está na Faixa 2, com outra taxa. Abaixo, o passo a passo e exemplos por faixa.
O que é a renda bruta familiar
É a soma da renda bruta (antes dos descontos) de quem vai compor o financiamento. Não é o salário líquido que cai na conta.
O que entra na conta
- Salário bruto de carteira assinada (contracheque).
- Pró-labore e renda de autônomo ou MEI, desde que o cliente consiga comprovar.
- Aposentadoria e pensão permanentes.
- Renda de quem compõe junto: cônjuge, companheiro ou outro participante aceito pelo banco.
- Renda de motorista e entregador de aplicativo. Desde agosto de 2026, a Caixa passou a tratá-la como renda formal. A comprovação é feita com os extratos de recebimento da própria plataforma (4 meses seguidos, da mesma plataforma, o mais recente com até 2 meses) e o resumo fiscal mensal do app, segundo nota da Caixa divulgada pela imprensa.
O que NÃO entra na conta da faixa
A Lei 14.620/2023 (art. 5º, § 1º) diz que, para o enquadramento nas faixas, não se consideram benefícios temporários de natureza indenizatória, assistencial ou previdenciária. A lei cita como exemplos:
- auxílio-doença;
- auxílio-acidente;
- seguro-desemprego;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Bolsa Família (e benefícios que vierem a substituí-los).
Na prática: a família que ganha R$ 2.900 de salário e recebe Bolsa Família continua com renda de R$ 2.900 para a faixa. O benefício não empurra o cliente para cima.
As faixas de renda em 2026
Pela Portaria MCID nº 333/2026, as faixas urbanas são:
| Faixa | Renda bruta familiar | Teto do imóvel | Taxa nominal (Sul, Sudeste e Centro-Oeste, não cotista) |
|---|---|---|---|
| Faixa 1 | até R$ 3.200 | teto do município (ex.: R$ 255 mil em BH; R$ 275 mil em SP) | 4,75% a 5,25% a.a. |
| Faixa 2 | até R$ 5.000 | teto do município | 5,50% a 7,00% a.a. |
| Faixa 3 | até R$ 9.600 | R$ 400 mil | 8,16% a.a. |
| Faixa 4 | até R$ 13.000 | R$ 600 mil | 10% a.a. |
Dentro das faixas 1 e 2, a taxa sobe em degraus conforme a renda: até R$ 2.160, até R$ 2.850, até R$ 3.200, até R$ 3.500, até R$ 4.000 e até R$ 5.000. No Norte e no Nordeste, algumas taxas são menores. Acima de R$ 13.000, o cliente sai do MCMV e vai para o SBPE, com taxa de balcão.
Passo a passo do cálculo
- Some a renda bruta de todos que vão compor o financiamento.
- Tire os benefícios temporários (Bolsa Família, BPC, seguro-desemprego etc.).
- Veja a faixa pela tabela acima. Isso define a taxa e o teto do imóvel.
- Calcule a parcela máxima: renda bruta × 30%.
- Confira o prazo pela idade: o prazo máximo é de 35 anos (420 meses), mas a idade no fim do contrato não pode passar de 80 anos e 6 meses. Cliente mais velho tem prazo menor e, por isso, financia menos com a mesma renda.
- Lembre dos encargos: a prestação da Caixa inclui seguros (MIP, por idade, e DFI, sobre o imóvel) e tarifa de administração de R$ 25. Para renda de até R$ 2.850, a tarifa é paga pelo FGTS. Os 30% precisam cobrir tudo isso, não só os juros.
Exemplos por faixa
Os exemplos usam as taxas para Sul, Sudeste e Centro-Oeste, cliente não cotista do FGTS.
Faixa 1 — casal com R$ 3.000
- Ele: R$ 1.700 bruto. Ela: R$ 1.300 bruto + Bolsa Família.
- Renda para a faixa: R$ 3.000 (o Bolsa Família fica de fora).
- Faixa 1, taxa nominal de 5,25% a.a.
- Parcela máxima: R$ 3.000 × 30% = R$ 900.
Faixa 2 — composição que muda a faixa
- Cliente sozinho: R$ 2.400 bruto → Faixa 1, parcela máxima de R$ 720.
- Compondo com o irmão (R$ 1.800): renda de R$ 4.200 → Faixa 2, taxa de 7% a.a., parcela máxima de R$ 1.260.
- Atenção: compor renda aumenta a parcela possível, mas pode subir a taxa e reduzir o desconto do FGTS, que cai conforme a renda sobe. Simule os dois cenários antes de decidir.
Faixa 3 — R$ 7.000
- Renda bruta: R$ 7.000 → Faixa 3, taxa de 8,16% a.a.
- Parcela máxima: R$ 2.100.
- Teto do imóvel: R$ 400 mil, em qualquer cidade.
Faixa 4 — R$ 11.000
- Renda bruta: R$ 11.000 → Faixa 4, taxa de 10% a.a.
- Parcela máxima: R$ 3.300.
- Teto do imóvel: R$ 600 mil.
Na prática, para o corretor
Pergunte a renda BRUTA, não a líquida
O cliente costuma responder com o que cai na conta. Peça o contracheque. Falar de renda líquida faz você subestimar a parcela e oferecer um imóvel menor do que ele pode comprar.
Cuidado com o cliente “na beira” da faixa
Quem ganha perto de R$ 3.200, R$ 5.000, R$ 9.600 ou R$ 13.000 merece atenção. Uma hora extra ou um adicional no contracheque pode mudar a faixa. Simule com a renda média que o banco vai aceitar, não com o melhor mês.
Renda informal precisa de prova
Renda que não se comprova não entra na análise. Para quem trabalha por aplicativo, a mudança de 2026 ajuda: os extratos da plataforma agora valem como renda formal na Caixa. Mesmo assim, o banco avalia a regularidade e a suficiência dos valores.
Benefício social não é renda para a faixa
Se a família tem BPC ou Bolsa Família, não some esse valor para definir a faixa. Explicar isso logo no primeiro atendimento evita frustração na análise.
Faixa não é aprovação
Enquadrar o cliente numa faixa não garante crédito nem subsídio. A aprovação depende da análise cadastral, da capacidade de pagamento e das regras do banco. Deixe isso claro ao cliente.
Resumo rápido
- Renda bruta familiar, sem benefícios temporários.
- Faixa 1 até R$ 3.200; Faixa 2 até R$ 5.000; Faixa 3 até R$ 9.600; Faixa 4 até R$ 13.000.
- Parcela de até 30% da renda, já com seguros e tarifa.
- O prazo depende da idade (máximo de 80 anos e 6 meses no fim do contrato).
Fazer essa conta à mão, para cada cliente e cada composição de renda, toma tempo. E o cliente esfria enquanto espera. No Simulador Habitacional você informa a renda e a cidade, e a simulação mostra a faixa, a taxa, o teto do município e a parcela, pronta para enviar ao cliente pelo WhatsApp. O Simulador Habitacional não é da Caixa nem de nenhum banco: ele aplica as regras públicas do programa. Faça uma simulação grátis e compare os cenários antes da próxima visita.
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Fontes
- Lei nº 14.620/2023 (Programa Minha Casa, Minha Vida), art. 5º, § 1º — Planalto
- Portaria MCID nº 1.248/2023 — LegisWeb
- Ministério das Cidades — Minha Casa, Minha Vida (Portaria MCID nº 333/2026, faixas de renda)
- Simulador de financiamento habitacional da Caixa (prazo, idade máxima e comprometimento de 30%)
- InfoMoney/TradeMap — Caixa passa a considerar renda de apps como formal (nota da Caixa, 20/08/2026)
O Simulador Habitacional não é da Caixa nem de nenhum banco: aplica as regras públicas dos programas habitacionais para estimar o financiamento. A aprovação final é sempre do agente financeiro.